A Poderosa Voz de Freddie Mercury

Sendo atualmente um dos músicos mais lembrados do fim da segunda metade do século XX, Freddie Mercury tornou-se uma inspiração para interpretes diversos por conta do sucesso alcançado em sua jornada de mais de 20 anos como cantor, compositor e instrumentista - sobretudo em seu tempo de atividade na banda britânica de rock Queen. Sua entrega em performance e sua singular forma de interpretar seu repertório deixou saudade nos corações dos fãs, que viram seu ídolo falecer no ano de 1991 na casa dos 40 anos de idade.

Registros

A região superior da voz de Freddie em seu registro misto era: Vibrante, gélida, metálica e rica. Entre seus contemporâneos era algo apreciado e popular o som do famosos drive, fielmente entoado em praticamente todos os momentos de clímax de suas canções ao vivo com bastante plasticidade até o A4 (Lá 4) acima do centro C (Dó 4) e em estúdio até os limites de seu registro misto (Que abrangia quase todas as notas da quinta oitava no mix head voice e abrangia o famoso dó de peito dos Tenores). No falsete Freddie já alcançou ao vivo um Ré de Soprano (D6) com controle e agilidade considerável para um interprete do sexo masculino; também sendo adepto do whistle register em raras, mas válidas, ocasiões é indiscutível seu virtuosismo em controlar sua grande extensão vocal.

Seu registro médio era escuro, metálico e de grande dimensão. Freddie era um interprete de voz masculina aguda e cantava habitualmente entre um D3 (Ré 3) até um A4 (Lá 4) em voz de peito e presava bastante por um som agressivo e emotivo, o que não o impedia de demonstrar colorações mais delicadas (Principalmente dentre as texturas diversas das gravações de estúdio).

Em estúdio o registro inferior era extenso e bem emitido para um homem que não dispõe de uma voz naturalmente tão grave. Notas da segunda oitava eram comumente executadas entre vocais harmonizados e uníssonos para corroborar o clímax de suas canções, porém já apareceram em linhas melódicas monofônicas sem problemas de soprosidade ou estabilidade com frequência.

Histórico Vocal

Em suas performances ao vivo Freddie sempre demonstrou grande facilidade em entoar canções gravadas em estúdio com fidelidade considerável quando precisava cantar até os limites de sua tessitura. Com seu pedestal pela metade e extravagantes roupas dos anos 70, o vocalista do "Queen" esbanjava estamina ao vivo, se movimentando de forma frenética sem deixar as linhas melódicas serem emitidas com ofegância em meio aos arranjos criados especialmente para performances ao vivo pela banda.

No início dos anos 70 seu repertório requeria uma voz extremamente metálica, com grande facilidade de emissão na região do topo da terceira e parte da quarta oitava em voz de peito, com aptidão também a se estender a notas do topo da quarta oitava em rápidos picos ao vivo a maior parte do tempo e em notas da quinta oitava sustentada em estúdio (Na canção "My Fairy King" podes encontrar um sustentado G5 ligado em glissando a um A5 em registro misto, depois um outro A5 em sustentado). Em canções como "Doing All Right" - de seu álbum debut - a coloração delicada de sua voz também é demonstrada de forma emotiva e delicada com direito até mesmo ao falsete (Registro este pouco utilizado por Freddie para cantar versos claros ou em notas sustentadas, notas estas que também aparece em "Great King Rat" em um A5 e em "My Fairy King", novamente em sua região média de canto).

Na segunda metade dos anos 70 Freddie Mercury apresentava um timbre levemente mais rico e passa a cantar com uma postura mais adequada e requintada, valorizando sua emissão em performances ao vivo e sua desenvoltura em palco. Mas foi nos anos 80 que sua voz adquiriu o timbre dramático, escuro e rouco, que combinado a seu já famoso vibrato extremamente rápido e fluido, lhe conferiu tanta credibilidade em meio aos fãs de grandes vozes do passado - para muitos fãs este é o apogeu de seu timbre em gravações de estúdio.

Segunda metade dos anos 80, Freddie está próximo de parar de se apresentar em performances ao vivo em decorrência de sua doença. Não existem gravações que demonstrem o deterioramento vocal de Freddie, mesmo nas tardias gravações de estúdio sua voz só era entregue ao público demonstrando um padrão altíssimo de qualidade, e isso inclui o álbum "Made In Heaven" - gravado ao fim de sua vida, próximo ao apogeu de sua debilidade, e lançado após sua morte. O álbum, de forma alguma, demonstra vocais que entregassem facilmente seu estado físico e psicológico (Ouvidos treinados certamente percebem que as terminações de frases estavam ofegantes, o timbre menos rico, o falsete mais fraco e instável e os legatos de difícil acesso, mas estes defeitos técnicos evidentemente foram ocasionados pela doença do vocalista e não por sua conduta em palco).

Sempre exibindo umas musicalidade impar, cantar e tocar ao vivo nunca foi problema aparente em seus dias de glória, as duas funções distintas fluíam com grande facilidade e naturalidade, tendo como destaque o não detrimento de seu canto emotivo por conta dos acordes a serem executados ao piano. Seu senso de ritmo é outra questão a ser relatada, já que em seu período de atuação o retorno eram deveras mais obsoleto que em dias hodiernos, dificultando a execução de um repertório tão diversificado e árduo em meio a um ambiente onde alarido é algo tão comum.

Pontos Negativos

Freddie Mercury foi um interprete que realmente se entregou bastante a suas performances ao vivo, porém evitava algumas notas agudas, colocando interlúdios no lugar de alguns versos cantados, o que lhe conferia mais longevidade vocal em meio a uma agenda extremamente lotada de shows, mas deixava de mostrar a proposta gravada.

Sobre o Autor

Sopranista, natural do norte de Minas Gerais, iniciou seus estudos musicais aos 6 anos de idade, com enfoque em repertório sacro. Aos 18 torna-se membro do Ars Nova (Coral da UFMG), sob a regência de Iara Fricke Matte, e solista da série "Fermata", sob a batuta da mesma maestrina. Em 2016 ganhou o prêmio de "Voz Revelação" dos Jovens Solistas da Fundação Clóvis Salgado e posteriormente o Jovem Músico BDMG. Seu debut operístico se deu na ópera de Benjamin Britten: “The Turn Of The Screw", interpretando o papel de Miles, sob a regência de André dos Santos. Atualmente é aluno de canto do Prof. Dr. Mauro Chantal, na Universidade Federal de Minas Gerais.

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