O Vocal de Adam Lambert

Adam Lambert, atualmente, é um modelo de bom performer vocal ao vivo dentre os mais extravagantes nomes masculinos do meio. Sua carreira ganhou maior visibilidade após participar de um famoso Reality Show estadunidense e terminar em segundo lugar mesmo sendo, aparentemente, o favorito da massa. Posteriormente lançou um álbum em 2009 que foi sucesso de vendas nos Estados Unidos da América, parte da Europa e Oceania.

Timbre e Registros

Seu timbre é comumente demonstrado de forma agressiva e intensa, produzindo um som mais dramático e grandioso por conta de seu repertório de considerável complexidade. Cantando em uma tessitura extremamente alta para um homem de sua idade, Adam ostenta uma voz metálica, vibrante e álgida que se adéqua a sua persona on stage em detrimento de seu natural tom de emissão sem efeitos vocais complexos. Em suas interpretações os Eus Líricos em grande parte das canções são encorporados de forma deveras teatral e emotiva, abrindo margem para sua voz de considerável tamanho brilhar com suas distintivas notas agudas "beltadas".

Seu registro agudo pleno é extremamente extenso, potente, metálico e descoberto, porém não aparenta ser primorosamente dúctil, já que só é demonstrado em notas da base da quarta e toda a quinta oitava em dinâmicas de F (Forte) em diante e nunca em P, PP, PPP (Piano, Pianíssimo, Molto pianíssimo) - vale ressaltar que sem recorrer ao falsete ou voz de cabeça  (Fazendo uso apenas do registro misto) Adam atravessa praticamente toda a quinta oitava e não adentra a sexta por conta de 2 tons.

Falsete e voz de cabeça marcam presença em poucos momentos de seu canto, o que não significa que não poderia desenvolver certa perícia na execução de ornamentos neste registros - em algumas raras ocasiões pode-se conferir que o interprete não demonstra significativo revés com o passaggio - mas mesmo assim são deixados de lado para dar lugar a um som mais característico do rock.

Sua região média é naturalmente quente, delicada, emotiva e mesmo seu repertório e personalidade não explorando tais qualidades com afinco, estas características de seu timbre são perceptíveis em melodias de andamentos mais vagarosos e ralentados. Sua emissão se faz sólida e plástica até por volta de um A agudo acima do centro C, se iniciando em um G# da terceira oitava, tendo é claro predominância do registro de peito em sua emissão enquanto se mantém nesta faixa de notas, a fim de corroborar sua personalidade vocal - que usa do belting boa parte do tempo para evitar, de forma salubre, a passagem da voz para o falsete/voz de cabeça, lhe proporcionando um condicionamento vocal superior ao da média de interpretes Pop em acuidades semelhantes com respeito a seus respectivos tipos vocais e tessituras.

A região grave de sua voz é decentemente emitida, mas por manter-se em tons bastante agudos a maior parte do tempo, Adam tende a ficar ofegante por conta do aumento de ar que as notas graves exigem em sua execução e acaba perdendo significativamente ressonância e estamina quando tem de adentrar a base da terceira oitava.

Histórico Vocal

Ainda de cabelos loiros, na graduação do High School, em 2000, Adam e seus 18 anos já demonstravam grande conforto em performances ao vivo, cantando em uma estética mais contida e com um timbre mais aveludado, rico e quente. Neste período não existem gravações suficiente para traçar um perfil fidedigno de seu canto, apenas uma performance em sua formatura.

Já em 2004 podemos conferir uma performance mais teatral em um DVD de um musical que tornou-se viral depois de seu sucesso, demonstrando o timbre de Adam de forma mais próxima da que o consagrou em 2009. Aqui, seu registro superior já pode ser conferido na costumeira forma metálica e potente que perpetuou as rádios em seu apogeu comercial.

Já em 2009 seu timbre demonstrava estar mais frontal e agressivo. Adam demonstrava maior identidade artística neste período por dispor de maior liberdade e até mesmo necessidade para tal já que competia em um Reality. A agilidade no topo de sua tessitura e alcance marcava presença de forma mais extravagante, assim como o drive nas notas agudas em registro misto, tudo em prol de uma postura mais imponente e segura.

Atualmente sua voz segue a mesma premissa. Seu timbre, habilidades vocais ou cênicas não sofreram alterações significativas neste período de tempo.

Pontos Negativos

Apesar de dispor de um registro misto incrivelmente firme e extenso, o topo de sua extensão no mesmo pode estar sendo exposto com uma questionável técnica de emissão, já que foge em quase uma oitava a faixa de notas de um interprete masculino com uma voz naturalmente aguda, evitando exageradamente o passaggio para um registro mais leve com o "agravante" de uma embocadura que foge ao ideal em um padrão ótimo de emissão de canto (O famoso formante redondo). O posicionamento de sua língua durante a execução das citadas notas agudas é sempre frontal e reto para evidentemente evitar tensão na base da mesma para facilitar a execução do mix em acuidades estratosféricas, porém é perceptível em algumas performances que este posicionamento torna-se levemente exagerado cobrindo até mesmo os dentes inferiores.

Resolução dos Pontos Negativos

Previamente é necessário frisar que cada interprete dispõe de peculiaridades extremamente particulares com respeito a suas habilidades como cantores e que o senso comum em técnica convencional salubre é sim relevante e cientificamente provado e aprovado por profissionais capacitados, mas nem sempre uma afirmação que não está sujeita a exceções. Adam pode não estar sofrendo consequências negativas na execução de boa parte das notas de sua emissão na quinta oitava, mas os extremos e o formante "espalhado" da boca podem ser evitados visando longevidade vocal, adotando uma embocadura mais oval. Um repertório que vise valorizar outras regiões e dinâmicas de sua voz com o decorrer dos anos também pode contribuir para um envelhecimento saudável de suas pregas vocais.

Sobre o Autor

Sopranista, natural do norte de Minas Gerais, iniciou seus estudos musicais aos 6 anos de idade, com enfoque em repertório sacro. Aos 18 torna-se membro do Ars Nova (Coral da UFMG), sob a regência de Iara Fricke Matte, e solista da série "Fermata", sob a batuta da mesma maestrina. Em 2016 ganhou o prêmio de "Voz Revelação" dos Jovens Solistas da Fundação Clóvis Salgado e posteriormente o Jovem Músico BDMG. Seu debut operístico se deu na ópera de Benjamin Britten: “The Turn Of The Screw", interpretando o papel de Miles, sob a regência de André dos Santos. Atualmente é aluno de canto do Prof. Dr. Mauro Chantal, na Universidade Federal de Minas Gerais.

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